Um Olhar Cético

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Emoção é receita da irracionalidade

Eu poderia resumir esse texto em um argumento, mas vou tentar ser mais detalhista. Sempre tive extrema dificuldade de empatizar por diversas situações de dificuldade e sofrimento humano e, por isso, sempre me senti no limite entre “ser humano” e “ser odiado”. No entanto, dificilmente nego ajuda a alguém que precisa, independentemente de quem seja essa pessoa. Para mim é mais fácil demonstrar uma preocupação com certa causa em forma de ação do que em forma de “isso me enoja”, “isso me revolta”, “isso me incomoda”, “eu odeio isso”. Acontece que se tornou muito difícil, devido a uma onda do que se convencionou como “pós-modernismo”, argumentar que não somos exatamente o que queremos ser. Eu, basicamente, não tenho os níveis de empatia (hormonalmente regulada, dã) que normalmente vejo ao meu redor. Empatia não se aprende. Não é algo que funcione na prática

Basicamente, sem nenhum estudo empírico (ou teórico mesmo, se me apresentarem uma fórmula matemática que descreva isso) uma multidão de pessoas AFIRMA, com certeza acima do normal, que QUALQUER COISA pode ser resultado do ambiente em que você está inserido. É cômodo, não? Atribuir uma plasticidade ao comportamento humano simplesmente por preguiça de estudar quais as bases e origens desse comportamento. É, você mesmo, que fala que X é construção social e apenas construção social. Você é preguiçoso.

E por que eu estou enchendo linhas com essa afirmação? Simples, porque hoje existe uma espécie de ‘teoria’ corrente (na qual a práxis é totalmente deturpada) de que devemos basear nosso julgamento moral no que é mais “empático”. Meu ponto central sobre esse tipo de julgamento é:

1) Nosso senso moral deve ser guiado pela empatia, especialmente pelo lado mais fraco (estou assumindo que isso seja verdade, o que não é);
2) Algumas pessoas tem pouca ou nenhuma empatia.

Ótimo, chegamos ao problema central. Se essas pessoas que têm dificuldade de empatizar, sejam elas autistas, misantropas, sociopatas ou qualquer outro tipo de desvio do padrão não têm empatia ou na maioria das vezes o senso moral delas é deturpado pela falta de empatia, temos poucas opções:

1) Ou elas não são capazes de agir de forma moralmente correta;
2) Ou elas só agem de forma moralmente correta quando baseiam suas ações na pouca empatia que possa restar (ou por algum tipo de comportamento socialmente aprendido – acho que isso se aplicaria ao caso do sociopata oculto);
3) Ou elas agem contra as regras morais, em muitos casos (sociopatas, novamente – mas alguns deles podem inclusive ser membros da sociedade que nunca vão cometer um crime) mas também agem de forma moralmente correta, baseados em:

a) Senso moral empático aprendido socialmente – o que se convenciona como “norma social”;
b) Por algo independente disso.

Eu poderia apresentar diversas hipóteses alternativas pra explicar que uma ação correta nem sempre está atrelada ao caminho mais empático. Mas o experimento do link abaixo já faz isso de forma muito boa. Seja lá qual for o motivo pelo qual existem membros que conseguem conviver socialmente e ainda fazerem boas escolhas morais, a explicação sociológica não me parece satisfatória, porque seria de se esperar que, em todas as culturas, membros “tortos” em senso empático deveriam aprender APENAS regras sociais que sejam úteis à manutenção de sua aceitação social. Eu realmente não tenho nenhum DADO pra afirmar isso, mas não me parece que seja impossível encontrar pessoas sem esse “norte” chamado empatia que agem além da “convenção social”, realizando julgamentos morais que não são estritamente necessários para se manterem como “membros socialmente aceitáveis”.

Por outro lado, temos os sujeitos extremamente empáticos. Pelo que o experimento mostra, quanto maior seu grau de empatia, menor é a chance de você dosar a punição que deseja ser aplicada em qualquer ser humano. As bases pra isso podem ser discutidas, vou ficar feliz em ouvir a opinião de vocês. Assim como vou ficar feliz em ouvir argumentos diferentes para explicar como devemos guiar nossas escolhas morais. Mas o que quero deixar claro com esse texto é:

1) não precisamos basear nosso senso moral em empatia, por duas razões:
a) ela é seletiva (você precisa ter algum argumento muito forte pra demonstrar que sempre apoiará o lado correto);
b) ela não é universal, algumas pessoas são capazes de fazer julgamentos morais mesmo sem se deixarem guiar exclusivamente pela empatia;

2) Precisamos tomar cuidado quando essa cobrança de empatia se enraiza nas pessoas e quando tendemos a julgar uma pessoa pelo grau de “revolta” ou “empatia” ela apresenta a diferentes situações. Muitas vezes isso não significa que a punição a ser decidida é a mais justa e, tampouco isso quer dizer que o culpado é sempre “a fonte de todo o mal”.

Não baseemos todo o nosso senso moral em emoções. Isso é a receita pra fazer caquinha.

Texto ao qual faço referência: http://xibolete.uk/empatia/

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