Um Olhar Cético

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Parece que o jogo virou, não é, Julie Bindel?

Compartilhei, em meu facebook, um texto da Julie Bindel faz um bom tempo – “O feminismo corre o risco de se tornar tóxico” -, porque achei que ele tratava de algo bastante relevante (afinal, ver um astrofísico tendo que chorar e se desculpar publicamente pelas roupas que escolheu usar não me parece algo saudável numa sociedade).

Porém, parece que o jogo virou, não é, Julie Bindel? Em uma entrevista a um coletivo feminista radical, ela mudou da água para o vinho. Não sei se ela quis ser irônica na entrevista, quis fazer uma brincadeira (apesar de que discordo de boa parte dos posicionamentos dela nessa entrevista). Mas a questão é que não me parece razoável, especialmente com a quantidade de pessoas propagando ideias surreais por aí, falar em uma espécie de “asilo”/”prisão” (acho que o termo campo de concentração seria um exagero pro que ela propõe) para homens.

Ainda que se argumente que isso seria uma forma de conter o comportamento inadequado de alguns homens (ou da maioria deles) e que seria uma “troca justa”, fica a pergunta: é esse o tipo de moralidade que desejamos para o futuro da humanidade? Uma espécie de retorno à Lei de Talião? O raciocínio é o mesmo:

1) Um inimigo me fez mal, logo devo retribuir esse mal com uma revanche ou vingança na mesma proporção. O exemplo mais clássico é: se um ladrão furta algo de minhas posses, sou autorizado a cortar suas mãos para que seja impedido de roubar novamente (O que sequer é algo proporcional, porque o ladrão apenas subtraiu um bem; segundo o raciocínio de tal lei, ele deve restituir o que furtou E ser castigado);

2) Um sexo me fez mal e criou um conjunto de regras que oprimiu metade (ou mais) da população mundial durante milênios, logo é justo impedi-los de terem liberdade e serem tratados como prisioneiros com uma espécie de “liberdade condicional” determinada pela mulher.

O problema está aí: falácia de composição. “Alguns homens (ou a maioria deles, se você quer assumir isso) agem contra nossos interesses, logo todos os homens agem assim”. Aliás, não dá pra imputar culpa em um sujeito que nasceu homem mas não teve absolutamente nada a ver com o histórico passado. “Ah, mas ele se beneficia da estruturação patriarcal”. De fato, mas isso não significa que ele seja responsável por ela. Isso não significa que ele deva ser punido individualmente, tampouco significa que deva ser tratado como um prisioneiro em nome do bem-estar coletivo.

Deixo a sugestão de assistirem a série de videoaulas “Justice: What is the right thing to do” do Michael Sandel, em que ele passa rapidamente diversas formas de pensamento dentro da ética. Disponível de graça no YouTube. Um bom começo pra quem não entende nada de ética.

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